domingo, 5 de maio de 2013

O que acontece com a Wizards of the Coast?

Navegando descompromissadamente o site da WotC, em parte para ver a que pé anda o playtest do
D&D Next, foi uma grande surpresa perceber que na lista de novos lançamentos previstos, todos ou a grande maioria eram reimpressões de material antigo. Salta os olhos, sem dúvida, os anúncios da nova caixa marrom e as reedições do livros básicos da segunda edição . Se por um lado, como já disse nesse blog em outras oportunidades, finalmente a Wizards está tirando proveito do imenso catálogo que estava sentada em cima, relançando edições clássicas que muitos ainda tem em seu coração (além de apresentar esse material para uma nova geração), por outro é notável a percepção do esgotamento do sentimento de "novidade" e "modernidade" que as edições lançadas por ela, Wizards, alcançaram. Ainda assim, mesmo aprovando essa guinada editorial para o material antigo, minha opinião pende para um "muito pouco, muito tarde".

Algumas escolhas são no mínimo estranhas. Talvez o relançamento da caixa do Dungeons & Dragons original seja o evento mais importante dos últimos anos, já que reapresenta, tanto em termos nostálgicos como em termos históricos, o início de tudo. Mas a escolha de como isso será feito soa confusa. A caixa será em madeira entalhada, um mimo de colecionador que foi uma bola dentro. Contudo, se decidiu usar no interior uma reprodução fiel do material antigo, enquanto as capas terão desenhos diferentes, de veia mais moderna. Ora, o Dungeons & Dragons original, apesar do seu valor inegável para o hobbie, é na melhor das hipóteses ininteligível para os não iniciados, e uma verdadeira bagunça para os iniciados. É quase impossível de jogar sem uma reintrodução da mentalidade de jogo da década de 1970, e se decidiu lança-lo sem uma parte importante para o entendimento das regras, o jogo de wargame medieval Chainmail. Talvez pedir uma nova edição do Chainmail dentro da caixa seja pedir demais, mas mesmo que não seja imprescindível para aqueles que sabem o que estão lendo, no mínimo para um jogador novo era necessário um "oitavo livro", explicando a mentalidade "old school" e dando algumas dicas de como encarar as novas regras. Nada, você recebe apenas os livretos originais. Por isso, o público naturalmente alvo dessa caixa, os "grognards" que adorariam ter em sua coleção uma edição de luxo da caixa marrom, terão que amargar capas novas, que mesmo sendo competentes, destoam do estilo de campanha antigo e perdem um pouco o valor para colecionadores. Pode parecer um reclamação pequena, mas tenho certeza que as capas originais teriam um apelo muito maior para o provável comprador desse produto do que essas novas. O que passou pela cabeça dos diretores editoriais da Wizards para tomar essa decisão?
Por outro lado, nas discussões sobre as mudanças que o D&D Next sofrerá, encontramos várias artigos de enorme valor para os interessados em história do D&D no site. Mike Mearls, com todos as críticas que talvez mereça receber, pelo menos tem sido bastante honesto e propenso em explicar o enorme dilema que se encontra o design do novo jogo. Reconhecidamente um apaixonado pelo D&D original, é possível ver um certo respeito em tentar reconectar o D&D moderno com suas origens. Em pelo menos uma frase, que escreveu no artigo 'This Week in D&D", de 22 de abril desse ano, Mearls merece aprovação ao reconhecer e criticar uma escolha de design que era evidente dentro das edições 3.x e 4.x, ao dizer "a choice isn't a choice if there's only one assumed,corret answer" - traduzindo livremente - "uma escolha não é uma escolha quando se assume apenas uma resposta correta".
Minha opinião de que é tarde reside no fato de que existem tantas opções, hoje em dia, para se jogar sistemas "old school", melhor organizados e escritos, que o lançamento dessas novas edições tem mais valor histórico e de coleção do que realmente para trazer novos jogadores ao hobbie. Princialmente  ao se falar de D&D original, existe o excelente Sword & Wizardry, gratuito na internet, que é meu sistema de escolha atualmente. Existe ao meu ver uma clara desconexão entre o atual estágio da indústria, com lançamentos de pequeno porte, pela internet e pdf, utilizando a OGL de forma a apresentar tantos diferentes D&Ds que é só uma questão de escolha, e o que a Wizards espera conquistar com essa linha editorial. Contudo, somente o tempo poderá mostrar se minha visão de ser tarde e de ser pouco estará equivocada ou não, afinal.

O que é Masmorras da Mente?

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