sábado, 15 de outubro de 2011

Bando de capangas: uma regra opcional

centurionsSimular aquela cena cinematográfica dos heróis cavando seu caminho através de uma horda de inimigos, com direito a sangue esguichando, é até hoje um objetivo perene nos designs de vários rpgs. Existem muitas formas de alcançar esse objetivo, algumas já presentes em edições passadas e presentes do jogo. O que apresentarei a seguir é mais uma delas, sendo que acredito poder esta ser utilizada em qualquer edição do jogo.

Durante esse hiato de 2 meses, pelo menos um dos meus projetos empoeirados recebeu atenção: testar algumas variações de regras. Uma delas foi essa com relação a administração de hordas. Funcionou do jeito que eu esperava, por isso creio ser valiosa para compartilhar com os leitores.
Antes gostaria de dizer que tive experiência com a solução apresentada no D&D tactics. Eu tenho uma, e apenas uma, reclamação a ela. Para os que não estão cientes o tactics utiliza o conceito de minion, um adversário com capacidades de luta equivalentes ao dos jogadores mas com apenas 1 ponto de vida. Ela funciona, com o custo de retirar do jogador o prazer do rolamento de dano. Este é meu grande problema com esta regra. Ao finalizar um ataque cujo rolamento de dano constitui o mínimo, retirar a miniatura da mesa é uma atitude que inevitavelmente arrancará a seguinte expressão do jogadores – “ah, é um minion…”.
Minha intenção é pegar um pouco dos dois mundos. Manter o rolamento de dano importante enquanto separo claramente os “bucha de canhão” dos adversários mais competentes. Outra intenção da regra é facilitar a administração de grandes quantidades de adversários, tornando a conta menos problemática. Um dos problemas de manter grandes números em combates é o pesadelo logístico de rastrear quem tomou dano e quem está em combate com quem.
Minha solução é criar um “bando de capangas”, um tipo de oponente que representa um grande número de combatentes mas mantendo um único registro de pontos de vida. Funciona assim: num determinado combate, os heróis são confrontados por 10 soldados armados com maças e escudos, 15 arqueiros posicionados atrás de obstáculos, e dois tenentes para cada tropa. Teríamos então o bando de capangas com 10 soldados, o bando de arqueiros com 15 elementos, e 2 tenentes individuais de classe guerreiro. No primeiro grupo de capangas, cada um dos soldados possui, vamos supor, 15 pontos de vida (eles são uma unidade de “elite”, mas não são páreos individualmente para os heróis), enquanto que no segundo cada arqueiro possui 8 pv. Tradicionalmente o DM iria rastrear cada dano individualmente, nomeando os combatentes como soldado 1, arqueiro 3, etc. Neste ponto, contudo, usando essa regra, você manteria apenas um registro de pontos de vida e o número total de combatentes. O dano causado em todos os soldados, por exemplo, iria para o mesmo conjunto de pv, no caso 15, independente de sua posição. Assim que o patamar de 15 fosse atingido ou superado, o soldado que foi atingido por último seria retirado do combate, quando então o dano excedente dado nesse golpe seria desperdiçado. Na verdade, esse dano poderia até mesmo ser utilizado, com a devida lógica, para o próximo soldado, criando um efeito “cleave” (trespassar). Eu me acostumei a chamar o pv de altura e o número de combatentes de largura do bando de capangas. No exemplo dado, o bando de soldados teria altura 15 e largura 10, ou 15x10, enquanto os arqueiros seriam anotados como 15x8.
Vamos então as devidas advertências. Primeiro, essa regra não é uma boa solução para um modo de jogar mais cauteloso. Nesse caso, o método tradicional é o melhor indicado e o que trás a maior diversão, pois mantêm a atenção dos jogadores em cada adversário individual e em sua condição. Segundo, ela foi criada especialmente para o tipo de jogabilidade “veloz e furiosa”, onde o importante a continuar causando dano pesadamente e os personagens tem mais lastro em serem “maiores que a vida”. Ela tem a intensão de evitar o desperdício da rolagem de dano no caso minion, já que considero essa rolagem uma das mais divertidas do D&D. Não é para todos os tipo de campanha, mas realmente a considero útil para alguns DMs e suas campanhas, mesmo que seja para diminuir a contagem. E também é perfeita para quando o DM gosta de dividir uma caneca de cerva altas horas da madrugada com seus companheiros jogadores. Essa regra está apresentada “como está”, sendo necessário ainda verificar como funciona a dinâmica de PV na sua campanha. Caso tenha gostado e pretenda usá-la, só peço que me conte depois como funcionou em sua mesa, para análise. Por hora é só e até a próxima.

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